Tudo começou na infância, pais que abusavam da bebida, brigavam na frente dos filhos e não tinham a mínima ideia das consequências disso.
Tive pais maravilhosos, PAIS. Digo pais porque sim, fizeram o seu papel, deram amor, deram carinho e tudo que um filho precisa. Mas não eram um bom casal, as bebidas, as brigas constantes o que resultava no isolamento dos teus filhos. Quando a filha ouvia o pai abrindo o portão, corria para o quarto e fingia estar dormindo, com medo de presenciar brigas, o pai bêbado, a mãe sofrendo. Ela viveu 15 anos dessa maneira. E depois passou...passou? Não! 10 anos depois, com 25 anos, essa mesma pessoa que fingia estar dormindo, passa a conviver com outra pessoa escrava do álcool. O que acontece? A mesma coisa, se isola no quarto, fica muda e não se da conta do que esta fazendo com a própria vida. De repente uma dor no peito, que passa para o braço, falta de ar e um medo desesperador: Estou infartando, doutor! Faz exames do coração e nada. Ufa, não era infarto. Estou tossindo, será tuberculose? Não, exames normais. Mas doutor, minha língua esta estranha, tenho uma doença grave!!!!! E o doutor? Riu de mim. Ah, já chega, vou pra casa dormir. Dormir de manhã, dormir de tarde, dormir a noite e assim ficar livre de pensamentos que me atormentam. Livre de 5kg, reações físicas, medos, desespero, tremores, sudorese, ai que pânico. Dessa vez vou no psicólogo. Na triagem fui diagnosticada com ansiedade avançada e síndrome do pânico. Já na sala do psiquiatra, enfim diagnostica com depressão leve (não quero imaginar a forte), síndrome do pânico e TOC (o que me levou a somatizar todas as doenças que eu ouvia falar), Sertralina e Rivotril, uhuuuu a sertralina é poderosa, mas ainda assim, me sinto triste, com medo e só quero dormir...Primeiros 15 dias medicada, tive alucinações, a certeza de ter uma doença grave e o medo ainda me atormentavam. Ao longo do tratamento eu ia melhorando, mas certo dia, levei um susto e la veio a crise de pânico, o choro, o medo de sair na rua e cama de novo. Comecei a trabalhar, não tinha tempo pra nada, nem pra ter crise, mas um dia antes de ir pro trabalho fui na farmácia e fiz a pior burrice que eu poderia, me pesei! 1kg a menos e já fui surtando ate o trabalho, não conseguia parar em pé, sudorese, taquicardia, angustia e muito medo, fiquei no ambulatório do shopping ate a enfermeira me liberar. Nova consulta com o psiquiatra, eu tinha certeza que ia ter alta, ate ele perguntar: Você perdeu peso? Ah, que jogo baixo, me derramei em lagrimas e ganhei mais um remédio de brinde, amitripilina. Ganhei paranoia também em tomar vitaminas hipercalóricas para aumentar o peso. Vale lembrar que estou falando do presente, ainda estou em tratamento, procuro me isolar de onde tenha álcool, evito olhar a língua no espelho e pesquisar sintomas no google. O que eu quero dizer com tudo isso, é que uma pessoa jovem, saudável, não surta, porque surta, se você olhar pro seu passado, vai lembrar de alguma situação traumática, que você achou que havia ficado no passado, na verdade ficou dentro da sua cabeça e no momento em que você menos estava usando a cabeça, os "efeitos colaterais do trauma" voltam, só que você já não é mais criança pra cobrir a cabeça, você não consegue desviar seus pensamentos pros coleguinhas da escola, ou jogar bola na rua. Você estaciona na lembrança e quando o cérebro já não aguenta mais, ele começa a jogar no seu corpo, em forma de dores, tremores, medo, tristeza e desespero. Eu perguntei pro psiquiatra, como eu conseguiria mudar o foco dos meus pensamentos e ele me disse: Isso, só você pode responder.
Tive pais maravilhosos, PAIS. Digo pais porque sim, fizeram o seu papel, deram amor, deram carinho e tudo que um filho precisa. Mas não eram um bom casal, as bebidas, as brigas constantes o que resultava no isolamento dos teus filhos. Quando a filha ouvia o pai abrindo o portão, corria para o quarto e fingia estar dormindo, com medo de presenciar brigas, o pai bêbado, a mãe sofrendo. Ela viveu 15 anos dessa maneira. E depois passou...passou? Não! 10 anos depois, com 25 anos, essa mesma pessoa que fingia estar dormindo, passa a conviver com outra pessoa escrava do álcool. O que acontece? A mesma coisa, se isola no quarto, fica muda e não se da conta do que esta fazendo com a própria vida. De repente uma dor no peito, que passa para o braço, falta de ar e um medo desesperador: Estou infartando, doutor! Faz exames do coração e nada. Ufa, não era infarto. Estou tossindo, será tuberculose? Não, exames normais. Mas doutor, minha língua esta estranha, tenho uma doença grave!!!!! E o doutor? Riu de mim. Ah, já chega, vou pra casa dormir. Dormir de manhã, dormir de tarde, dormir a noite e assim ficar livre de pensamentos que me atormentam. Livre de 5kg, reações físicas, medos, desespero, tremores, sudorese, ai que pânico. Dessa vez vou no psicólogo. Na triagem fui diagnosticada com ansiedade avançada e síndrome do pânico. Já na sala do psiquiatra, enfim diagnostica com depressão leve (não quero imaginar a forte), síndrome do pânico e TOC (o que me levou a somatizar todas as doenças que eu ouvia falar), Sertralina e Rivotril, uhuuuu a sertralina é poderosa, mas ainda assim, me sinto triste, com medo e só quero dormir...Primeiros 15 dias medicada, tive alucinações, a certeza de ter uma doença grave e o medo ainda me atormentavam. Ao longo do tratamento eu ia melhorando, mas certo dia, levei um susto e la veio a crise de pânico, o choro, o medo de sair na rua e cama de novo. Comecei a trabalhar, não tinha tempo pra nada, nem pra ter crise, mas um dia antes de ir pro trabalho fui na farmácia e fiz a pior burrice que eu poderia, me pesei! 1kg a menos e já fui surtando ate o trabalho, não conseguia parar em pé, sudorese, taquicardia, angustia e muito medo, fiquei no ambulatório do shopping ate a enfermeira me liberar. Nova consulta com o psiquiatra, eu tinha certeza que ia ter alta, ate ele perguntar: Você perdeu peso? Ah, que jogo baixo, me derramei em lagrimas e ganhei mais um remédio de brinde, amitripilina. Ganhei paranoia também em tomar vitaminas hipercalóricas para aumentar o peso. Vale lembrar que estou falando do presente, ainda estou em tratamento, procuro me isolar de onde tenha álcool, evito olhar a língua no espelho e pesquisar sintomas no google. O que eu quero dizer com tudo isso, é que uma pessoa jovem, saudável, não surta, porque surta, se você olhar pro seu passado, vai lembrar de alguma situação traumática, que você achou que havia ficado no passado, na verdade ficou dentro da sua cabeça e no momento em que você menos estava usando a cabeça, os "efeitos colaterais do trauma" voltam, só que você já não é mais criança pra cobrir a cabeça, você não consegue desviar seus pensamentos pros coleguinhas da escola, ou jogar bola na rua. Você estaciona na lembrança e quando o cérebro já não aguenta mais, ele começa a jogar no seu corpo, em forma de dores, tremores, medo, tristeza e desespero. Eu perguntei pro psiquiatra, como eu conseguiria mudar o foco dos meus pensamentos e ele me disse: Isso, só você pode responder.
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